Em determinada fase, nós e os terapeutas, sabíamos que o Martim não estava preparado para integrar em ambiente escolar. Não estava disponível para a relação, as crianças não lhe despertavam qualquer interesse e eram motivo de desconforto.
Depois de muito trabalho, em contexto de terapia e em casa, a disponibilidade para a relação aumentou consideravelmente!
As crianças passaram a ser interessantes, embora barulhentas, eram divertidas!
Agora sim! Sabíamos que estava preparado e dos benefícios que teria no seu desenvolvimento o facto de conviver com mais crianças diariamente. Mas também conhecíamos os riscos.
Chegado o dia, o entusiasmo, dele e nosso, era gigante! Despediu-se de mim sem dificuldades, e voltou cheio de coisas para contar.
Voltámos, nos dias seguintes, a entregar um miúdo entusiasmado, bem-disposto e saltitão!
Uma visita curta ao refeitório, conheceram um lado diferente do Martim. O barulho imenso, na sua sensibilidade auditiva, e o cérebro do Martim bloqueou. Entregaram-me um miúdo apático e distante. Passou a almoçar em casa.
Voltou com vontade, até ao dia em que entrou em sobrecarga e o cérebro dele desligou.
São as chamadas crises silenciosas. Não há “birras”, nem descontrolos. É como se adormecesse por alguns minutos e voltasse a acordar perdido. O cérebro desliga como forma de proteção.
E a partir desse dia, o Martim perdeu o entusiasmo, e a palavra escola transformou-se em tortura.
Seria manha como todos diziam? Era algo que me estava sempre a passar na cabeça e me fazia ignorar o que o meu coração de mãe me dizia.
Ele estava diferente, desconfiado, desconfortável.
Da recusa em ir para a escola seguiu-se a recusa em fazer as tarefas mais básicas, como comer, mudar a fralda, sair de casa. Tudo para ele se associava a ter de voltar à escola!
Que injustiça estava eu a cometer com o meu filho? Logo eu que sempre o tratei com respeito pelas suas vontades enquanto individuo, que defendo que devemos ser felizes no que fazemos! A ficha caiu!
Hoje, entre nós pais, terapeutas e educadoras, foi tomada uma decisão!
O Martim vai voltar à escola? Vai, quando assim for sua vontade e que o faça feliz ❤️
